O que te tráz ao atraso do nada... O que te faz ressurgir nas claras. Vim perguntar o que acontece com essas tuas paixões, ilusões?
Porque assim, de tantos homens, com tantos nomes, mulher de aço e pulmão alado.
Exuberante em dinastia, cega em melodia, ritmada pelas azas.  
Encantada pelo mar e pela rede sem peixe. Vivendo nos miolos das paredes.
De estima, independente. De amor, pendente. De mim, a vida. 



Uma apoteose de poesia
Amor, quem diria
Tarde na manhã da folia
Reencontro da harmonia
Beijos, toque breve...

Sintonia. 



Enfim sós
Feito em nós
Corpo em nó
Corpos em mói
Movimento, dentro
Eleitos e feitos
Dois, um, nós.
Inverso, em metros.



Depois disso, feitiço

Desperdício
Ficção, ação

Resignação
Proximidade, lealdade
Compaixão
Menosprezo, desespero
Contra-mão
Tudo isso, sem feitiço
Sinceridade, vontade
Vida, medo
Paixão. 



Compartilhamento
Em andamento
Lento.



É que eu tenho disso, de desejar demais as coisas...
Tenho essa coisa de me apegar rápido a alguém. Tenho esperanças bobas que meu conto de fadas vai acontecer semana que vem.
Mas também tenho desinteresse, desapego precoce, desânimo sem norte, vida cheia de gente, gente cheia de vida. 
Dias de ócio criativo, dias de trabalho produtivo. E dias de café na cama, sem vontades e sem fama. 
Sou a Natalí das várias fases, dos desejos insaciáveis, de confusões incontroláveis.
A paciência que me acompanha é estranha, é risonha, mas é real. Sobre o natural.
Já me defini em tantos pontos. Mas me perco, constantemente, em várias vírgulas. Ando vivendo as pausas, movimentando os espaços que conheço e reconheço. 



Quem vai saber...
O que você quer beber, se queres me ter ou me lamber. Quem vai saber, se você vem me ver. Se vou nascer ou falecer.
Quem vai querer saber de que corpo és, em qual corpo me vês. Em qual vida me tens. Em qual esquina me encontrarás.
Eu, moça arredia e tonta. Desse meu estado, desse meu lado. Desse lado que é do longe, perto da ponte. Ligamentos, afrontes. Eu tua, sem pintura e com ternura. Posso ser nua, posso ser lua. 
Do brilho que enxergastes, da luz que criastes, da tinta que usastes, do que encantastes, do que envolvestes. Fugi pela arte, me uni aos tapetes.



Se a liberdade falasse, ela falaria dos milagres
Se a mentira calasse,  mentiria com disfarce
Se meu eu te acalmasse, me amarias em metades
Metades minhas e tuas.
Meus últimos textos denunciam...
Tanto "mim", tanto "ti"
Versos soltos e sem rima
Menino arredio, confusão vadia.
Vida tua, vida minha
Coleção de histórias, poesia.
 

  Acabou.  Fim.  



dias adiantados
amor declarado
silêncio negado
escrito amassado
diálogo abraçado



16 dias

Vésperas acesas na escuridão

E nossa preocupação é se faz frio no verão.
Consumo tua presença em meus sonhos
Puno tua ausência também.
Minha curiosidade diminui a cada dia...
Serás meu corpo ou serás meu dia?
E minha sina, será tua ou será minha?
Não tenho nexo, mas tenho nossa história em anexo.
Terei tua pele como agasalho, e farei do teu suor o meu orvalho.
O abstrato acaba aqui, quando eu, sem ti, penso como sairei de mim
E na sensação da ação, vejo 3 dias em nossas mãos. 
Você em mim, eu em ti. 




Viver já é impossível. E ainda assim vivemos.
Vivemos porque sabemos que a impossibilidade é o que nos permite.

Vivemos pra viver, incansavelmente, nossa luta contra o impossível.
Tudo, embora, se perde. Se perde em arquivos já perdidos. Vistos e não lidos.

Nesta luta a primeira pessoa foi morta. A terceira entrou em ação pra contar histórias sobre vitórias.
Não existe eu, existe Vós. Não existe eu, existe Ele. E ainda não existe eu, existe Nós. 

Do contrário da ida, a volta tráz histórias permitidas. Testadas, sentidas.

Contarás a quem sobre o que vistes?
Quem será ouvinte nessa história que é alegre e é triste?

A terceira pessoa existe?

- Cala-te menina. Apenas vive.



Ligações, ações. Alguém finge, alguém fala, alguém sente?
Defendendo-se de emoções, frustrações. Não pensei em atender ligações.

Mas aqui estou, de volta. Te atendi, te ouvi, não te vi.

O que vai acontecer nessa vista não sei, sei que estou aqui e não estais em mim, não mais.
Te deixei ir, ir por ti, sair de mim.
E aceito, com minha espiritualidade em formação, as escolhas que fizestes sobre o futuro que seria meu e teu.
Se fui substituída? Claro que não.
Porém movida pelo desejo e pela dúvida, fui fruto e fui ação. 



Santiago, 23 de setembro de 2013

Daqui me fiz mil, segurei a onda porque precisei de mim. De uma Natalí firme e forte, tendo um norte, mesmo sem porte.
Transferi nomes para meus motivos, guiei caminhos, detalhei estradas. E nesta tarefa certifiquei do que sou formada: constante de pessoas lembradas. Porém, de modo  tão real  e intuitivo que viraram meus principais motivos, como o rumo de quem traz a volta.
Não escolhi escrever essa carta, ia ser mais um simples desabafo do que me tornei. Mas as linhas me convenceram que o ninguém que descrevo é só ironia do todo que me espera, do todo que eu sempre amei. Vocês.
Sou grata pela família de amigos que tenho. Os que escolhi entre risos, lembranças, choros e andanças. E se cada um quisesse um pedaço de mim, eu me doaria toda... Porque fiz do excesso meu melhor momento.
Carrego comigo um acervo de sorrisos expressos em fotografias. E elas, de tão expressivas, me fazem reviver o exato momento do acontecimento. Entro em um quase nirvana de risadas longas e com som, e depois reflito o quanto foi valioso registrar o TAL momento feliz. Ver que o mais importante é que do meu lado estavam humanos sinceros, e que se doaram para viver.
Abriguei-me na distância física, mas me aproximei de sentimentos reais. Sei exatamente pra quem volto, sei dos risos que meus ouvidos reclamaram a falta. Sei também da energia que meu corpo sobreviveu sem. Mas como mágica, alguma onda positiva me fez persistir. E o cosmo, que não é nada falho, trouxe o necessário pra que eu aguentasse até aqui.
Imaginei, criei e fantasiei muitas cenas. Essa prática me manteve presente no mundo que eu “abandonei” por um tempo. Mas acabou. Minha contagem regressiva encurtou, meu drama sessou.

E meu desejo vivo enfatiza, que minha necessidade de construção e volta é ter todos vocês!



Nunca será nada
No fim  poesia
Poeira  vadia.



Quantas mil histórias eu já inventei, e sonhei, imaginei... Fantasiei.
Agora quantas eu já vivi, não  sei.
Aceito as culpas que me dão em relação a intensidade, sempre aceitei. Mas nunca mudei.
Não o fiz porque não quero. Apenas.
Sou as voltas do desejo do incompleto,  cheguei a essa conclusão a algumas horas.

Mas também sou meu melhor complemento inquieto. 



Felicidade sem abate, que bate
Sem ponto e sem pixels, cem motivos
Cem desordens, cem perguntas, cem respostas
Sem e cem.
É avulso em memória
Conversa longa, desdobra.
Eu que sou as respostas das perguntas de tuas respostas
Eu disposta, oposta, sem nota.
Me nota, me prova
Marca e aprova, consola
Constrói mais bordas atemporais nos canais
No caos do cais.
Me mostra em alguma escadaria tua paz
Sou curiosa rapaz.



Porque sentir-se culpada por não querer? Porque temer a não ter algo a dizer?
Respire, sinta sua lei... Você não precisa fazer nada forçado. Faça da sua vontade o seu motivo!
E se o motivo for um não repetido? E se esse 'não' for fruto da solidão?
Não importa, viava-o. Isso é você.

Aliás, não esqueça que sua escolha foi intensificar quem és. Viver o intenso do seu mundo. Do que você criou pra suportar chegar até aqui. 



Abrigos não cabem mais em mim
Necessito de botões abertos
Eduquei-me na modéstia
Repleta, diversa
Criei-me transversa
Complexa, anexa
Sentimentos carimbados
Dias do passado amontoado
Cria nascida em versos
Noite franzida e calada
Quadrado que guarda a menina

Sou eu aqui que grito sem voz por todo lado.



Em uma sala
Sem cedilha e sem tiu
Com vida e som sútil
Sou eu que quero ter voz pra cantar
Sou eu que quero alguém pra me acompanhar
Um desespero aqui bateu
Me perco em memórias que nem sei se existem
O inesquecível do que irá existir
Uma vida de olhar rodeado de amor
Menina que deseja ser menina, sendo ela na sala de estar.
Cheguei, me apresentei e agora quero voltar.



Fiz de mim uma narrativa sobre o amor
Detalho o que já não sou, o que de mim sobrou...
Criança  que admira o céu, mulher que escreve a saudade e imagina um Ele.
Daqui me transformei em uma melhor amiga, sendo a melhor companheira de minha mente viva, mente que sonha, imagina...

Uma natalí seduzida pela calma, acordando pra ser seu próprio motivo.



Alguém

Fale, escreva, verbalize!
Você tem medo de quem? De mim?
Eu que escrevi meu mundo para ti,
Eu que me despi e me coloquei em forma de verdade como prometi?
Tudo que te jurei, cumpri. E hoje estou aqui, na distancia e na insegurança do que na verdade sentes por mim.
Eu que ando desejando, incontrolavelmente, alguém pra me acalmar nos braços. Alguém que me deseje pelo que sou e pelo que faço, e que me sinta como a paciência de quem veleja um  barco.
Não posso deixar alguém como você acontecer em mim. Porque és confusão dentro do vazio sem laço.
E procuro alguém pra cantar baixinho, pra acolher no meu ninho. Que tenha vida com som e que minha voz lhe sirva como complemento do encanto.
Só sabes contar-me teus prantos. Para que eu, como de costume, faça algum tipo de avaliação. E você, tão normal, se corrija só pra ser o Tal.
Preciso de mais que isso! Vivi e sofri por estar longe de todos estando aqui. Mas tenho certeza que me fiz melhor por mim, e alguém que me desgoverne não me serve.

Quero alguém pra junto caminhar leve, e no final ainda encontrar um canto pra seduzir o tanto. Construir um manto e simplesmente amar.



Essa saudade é como pedaço amputado...
Sentimento que se faz calado depois de acostumar-se com o acaso
Custar a  entender o feito, desmoronar ao dar-se conta do efeito
Observar as idas de todas as vindas pra entrar no abraço...
- Eu, que nessa mesma época e todos os anos, me educo a transbordar amor pelo que se foi. Educo-me a deixar que as lágrimas caiam. O faço por já ter provado o contrário e ter dado tudo errado.
 De mim tenho o melhor que sou. O que sou ao torna-me viva, e sou por ter vindo de onde vim. Ter surgindo de quem me quis.
Sinto tua mão segurar a minha. Sinto a coragem que me deste ao guiar meus passos. Te fostes de maneira subida e absurdamente brusca, mas me deixaste no laço. Sou presente recém aberto, do embrulho que mim fiz excesso. Hoje entendo muito bem quando falavas que necessito usar ferramentas certas.
Os ventos não me deixam esquecer-te, minha mente mágica relembra os melhores fatos. E eu, seis anos depois de tua ida, sinto-me cada dia mais forte. Porque sei, que estivestes comigo durante 14 anos, mas também sei que essa  energia transbordante em mim é fruto do amor que me deste. E tu, no fundo sempre soubeste que eu seria assim, livre dentro de mim.  Aprendi a ser assim quando soltaste a minha bicicleta e me deixaste ir sem medo de cair. Continuo aqui, o medo as vezes me sobra. Mas a coragem transborda e mais ainda a vontade de ir!

Pai, eu te amo. 



Hoy

Sorriso amostrado
Calçada sem buraco
Sentimento amontoado.
É riso sem dente
Vida contente
Paradoxo vivenciado.
De tudo um pouco
De rosto molhado
Contagem regressiva

Passeio ao passado. 



Ser nítido
Ser líquido, invasivo
Ser que é, faz
De longe és
De longe faz

Viés fino, eficaz. 



Boas novas anunciadas, vindas de pessoa amada
Motivos pra continuar caminhando na estrada
Felicidade nascida simples e sem disfarce
Foi sonho que virou plano, o pano da realidade
Dias vazios substituídos por contagem regressiva
É a vida, guerreira viva
Mostrando que sempre haverá saída
As escolhas que foram feitas nunca serão esquecidas
Transformadas em esforços que virão a ser o troféu da partida.

Siga menina, siga...



Minutos cheios de silêncio
Que enriquecem e falam
Calam o imperfeito
Valorizam a palavra.
Minuto solitário
De silêncios cheios
Quiçá entrelaçado

Pelo envergonhamento alheio.



Posso falar sobre chás? Posso.
Tomo chá porque gosto, e essa é parte mais divertida desse meu inverno super frio. Brinco de acompanhar o caminho que o chá faz dentro do meu corpo. Esquentando meu interior como uma paixão dentro de um abraço tonto. É estranho, mas parece que sinto vontade de continuar assim como estou agora e como venho falado em todos os meus últimos textos: solitária. Mas minha solidão tem acompanhantes, da pra entender? Existe o incomodo de ter quer dividir a solidão, de ter que dar satisfação sem dizer não. Então eu venho, me tranco e começo a escrever. E fico assim, escrevendo meio troncha, sem saber ao certo o que dizer.

Diversas vezes eu senti o engando gosto da conclusão. Senti por uns instantes que todo esse lamento cheio de lágrimas não passava de drama. Melancolia forçada. Ilusão. Mas me enganei, que pena. Daria tudo pra que fosse conclusão. Por isso continuo escrevendo sem começo, porque é tudo continuação.Recuso-me a viver dentro de uma rotina inventada, imposta. Por isso luto até contra mim mesmo pra mais tarde não sofrer, também, com isso.  


Quando quero sentir felicidade, agarro-me a esperança. Linda, linda é a esperança!  Jogo em uma tela gigante todos os meus sonhos, e começo a adiantá-los e chego a sentir o gosto de como é vive-los. E o gosto é bom. 



Avulso

O sono em forma de abraço. E eu, que penso nada ter, agora o tenho de lado.
Detalhes corridos de trauma detalhado,
Seria meus ouvidos que estão calados? Ou o dia que vive de lado?

Seria tu em mim e você no eu, porque ouvi dizer que quando se ama duplica-se de tamanho. E desejo ser grande assim. Não sei quem é você, mas insisto em descobrir porque escrevo pra você e não tenho respostas. Mas respostas pra quê... Se eu me respondo o tempo todo sem querer?

Queria saber de onde nasce o barulho do silêncio, porque o cosmo que já vive em mim contou-me que tudo é sobrenatural. E em cima do natural estar o sobre, e que dentro do sobre estar o segredo, e que por trás do segredo estar o som. Caminho confuso.
Espera... Ouço vozes, estão todos acordados.  Então essa madrugada não é só minha. Desconheço madrugadas de multidão, multidão forçada que envolve o meu chão...

Na sala, algo estranho
Diálogo de contra-mão
Vãos cheios de tralhas
Vazio sem perdão.

É gente que acha que conversa mas só sabe dizer não. 



Porque aqui escrevo se ninguém me lê? Porque eu me leio, e isso me constrói. A escrita pra mim anda ao lado da fotografia, a diferença é que fiz da fotografia minha profissão, e da escrita minha missão. Talvez uma complemente a outra e me torne o que sou.
A dias estou trancada dentro de mim,  um isolamento cheio de sentidos e gritos. Não ignoro a fala, a convivência, o contato. Mas evito-os. Preciso desse retiro espiritual interior, desse aprofundamento com a leitura, sobre o que é e o que sou. Estaria de acordo a começar a escrever um livro. Me sinto estimulada o suficiente pra isso, porém tenho preguiça de enganchar as palavras, então vou escrevendo em textos soltos que no fim se unem.  Não quero transformar esse ato em sacrifício, porque agora ele é minha cura.
Tenho pouco mais de 90 dias nessa aventura que me permiti. Uma aventura estranha, confusa o suficiente pra me deixar ciente do que me torno com ela. As vezes me vejo narrando o eu, e é o que farei agora... Natalí que se sente gorda, mas a gordura vem das palavras que ela não põe pra fora. O peso do seu corpo é derivado da tensão de, paradoxalmente, não poder jogar-se ao mundo lá fora. E tudo que ela passa a viver estar dentro si. Pronto, a narrativa para por aqui, volto a primeira pessoa, ao eu que te escrevo agora.
Ao ler-me em textos antigos, observo que há uma necessidade de ter o motivo. O motivo é o Ele, e esse Ele que falo pode ser você que me lê. Envolvo toda história vivida em uma bolsinha de sílabas e começo a espremer forte, o que sai é palavra de verdade. E te garanto que não penso muito sobre elas, simplesmente fluem, saem como expulsão. 
A alguns meses crio fatos na memória pra driblar a solidão. Parece apavorante, e é. É porque eu me permiti a isso. Sinto uma enorme vontade de aprofundar-me na música, deixar de ser só canto e ser som de objeto também. Mas algo me diz, algo de dentro, que meu canto é suficiente já que minha procura é pelo som acompanhante. Já que minha procura é mais que por um simples par, quero música segurando a minha mão, pra acompanhar minha canção quando eu sentar. Pra depois ir a uma varanda e agradecer a lua por ter um par. É que eu gosto de cantar baixinho pra alguém, gosto de fingir que sei cantar. Subir em um palco imaginário e mostrar-me a uma plateia que é de uma pessoa só. Essa plateia que também é minha banda, me acompanha.

Devo estar em transe, na verdade nunca vou saber ao certo o que é transe. Mas posso definir o agora: Barulho lá fora que parece um empurrão pra minha memória, silêncio aqui dentro que se transforma em carinho pro meu lamento, palavras eufóricas que brotam, minha visão cheia de teclas dançantes e um par de mãos que deslizam rapidamente sobre o teclado. Chega uma hora que a gente não consegue dominar o que escreve. Depois de muito tempo calada, quando sento pra escrever parece que encontro uma melhor amiga de infância, e os assuntos surgem assim sem tanto sentindo. Porque o mais importante é tirá-los um pouco de dentro. E acho que é por isso que escrevo: Para dar um recreio aos meus pensamentos, para que eles fiquem livres pra o mundo, e pra que possam encontrar alguém que os admirem fora de mim. 



Noite cheia de pessoas, com pessoas cheia da noite. Em meio a isso encontram-me, aproximam-se... E como conversa de ventilador algum papo nasce na sala, e eu pulsando de curiosidade sobre os próximos assuntos que viriam. 
Nascia ali um daqueles acontecimentos que precisam ser escritos, lembrados e falados. Foi tudo muito simples, em um pedaço de calçada eu ouvia alguém que sem saber me traduzia.
A dificuldade com o idioma só fez deixar a conversa mais encantadora, porque enquanto eu tentava explicar o que dizia ele interrompia e, novamente, me traduzia. A lua acompanhava em silencio, fez força pra parecer  sol e me esquentar. Porém nada adiantaria,  pois meu corpo estava frio, mas minha mente em brasa criava asas e esquecia daqueles malditos graus de uma noite gelada.
Sim, foi mágico. Eu estava esperando por um encontro como esses pra preencher meus dias de fantasias. Um amor platônico de um dia, quiçá uma temporada, uma vida... Porque o bom, e mais gostoso, dessas paixões de minutos é que a gente se enche de esperança sem querer. E ai estar a verdadeira magia de um encontro: esperar sem querer demonstrar, viver pra querer rever, reaproximar, e lançar-se à difícil tarefa de auto controlar-se pra poder se preencher.

Quando eu nada entendia, ocupava os momentos desenhando aquela barba macia. Gravando cada detalhe do contorno pra poder lembrar no outro dia. Sabia que naquele momento eu poderia me perder no escuro, mas estava proibida de perder-me no óbvio de minhas vontades. Meus valiosos desejos ocultos, que abertamente passaram de ocultos pra melancólicos. Mas não foi por querer, é que na minha confusão interna eu adiantei, naturalmente, a pesada lembrança da ida. 



Agora sou eu, exatamente eu. Corpo-a-corpo comigo mesma, sem reflexos e apenas sobre versos. Bastaria olhar para o lado e encontrar motivos, cores, tempos dentro do tempo. E se assim fosse eu o faria com passos lentos e olhos “cerrados”, porque agora há um espelho interno  que anda refletindo tudo do lado errado. Mesmo assim eu seguiria pra conhecer o desconhecido apresentado.  Na chegada abriria os olhos, não para enxergar o óbvio, mas pra me ver refletida em pupilas estranhas e decifrar o que é visto, detalhar o que me torno agora.
Quando os momentos não acontecem,  simplesmente os invento. Invento-os vivendo dentro da invenção. Na prática provo o gosto do sonho vivo, que depois – não necessariamente, mas quase sempre – torna-se pesadelo. Isso, de fato, acaba transformando-se em um fluxograma.
Vez ou outra deparo-me com situações familiares, mas apresentam-se travestidas de novas e assim me enganam. Vivo-as intensamente, como qualquer outro ponto ou linha dessa minha história. Isso acaba construindo e, definitivamente, definindo quem sou  eu. Tais situações me envolvem de fantasias tontas, mascaradas de pura carência de quem quer o outro, de quem deseja o próximo. E todo esse tamanho cabe na descoberta diária...

Mais tarde o sono vem, provando-me que não sou de mais ninguém e que nem essa – muito menos aquela – carência me tem. Por que anda tudo parecendo capa, uma em cima da outra pra cobrir todas as falhas. Mas que falhas se o que antecede todo o fato é a coragem? (...) E embora não seja algo aceitável, sou eu mesma assim como me criei. Mas dentro daqui, daqui de dentro. E o que resume o lado de cá é apenas uma palavra: impulso. 




Você pesquisa, persiste.
Preenche o vazio que existe, insiste.
Porém, o que progride é apenas uma parte do que te desperta.
A busca, então, torna-se infinita
Você mergulha em doutrinas, filosofias e preguiças.
E nesse emaranhado vai se descobrindo cada vez mais
Tornando eficaz o que todos julgam como incorreto.
Se a vontade é de se trancar, tranque-se.
Se é de esquentar, esquente-se.
Se é de observar, apenas observe.
E se é de amar, ame-se.

Porque essa busca por identidade, antes de virar infame, te completa e te consome.




Talvez tudo volte
Talvez nada torne
Talvez o velho se renove
O passado vire presente
O futuro vire passado
Mas o amor vai ficar de qualquer lado
Por que esse não tem talvez
Tem Natalí mais uma vez apaixonada pelas maravilhas do mundo.
Que siga, que leve, que milhares de “talvez” me carregue. Mas que nada, porém se entregue ao mal de viver preso sem neve. (L)



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