Primeiro ciclo desde a chegada
Da lua negra à iluminada
Vestida de arco-iris
Deu-me as boas vindas
Do renascimento à pausa
Calor que refresca
Saído do corpo no pulso da transformação
As peças começam a se encaixar
Consciência desperta no incrível racional
Envolto de beleza, magia, encantamento, leveza
Sinto meus órgãos livres, minha pele transmite o interno: Maciez
Tocada sem o toque literal, do acolhimento ao acordar
O despertar na vontade do sentir viver
Dois um, como precisou ser
Pulso conectado, tocados, tocada
Suor morno escorrendo pelos corpos
Eu, imersa em módulo
No banho do prazer, molhada
Refletor da minha força, do meu Sou
De sabor contínuo
Clarividência
Trama real
Do ser ao ato.
pulsa como um gozo de entrega
grita como o primeiro sentido dos encaixes
sabe da certeza que ama tanto
reconhece as delicadezas, as luas, incertezas
muda o fluxo material e transforma os dias físicos em algo espiritual
com deuses sem nome, guiada pela Deusa.
ama saber de tantos anos sobre o amor que dedicou a ela.
foi ela por ela mesmo, mentindo pra si e criando externas paixões que verdade foram,
mas foram por ela.
com feridas sempre expostas ao sol pra serem secas de vitamina D.
freneticamente em carne viva, viva e pulsante, mas firme, latente.
se ama tanto e sem modesta
consegue criar uma história mental sobre alguém que a ama tanto quanto ela
mas que mentira
bela
aprende a ser só todos os dias
se ama e se tem na mesma intensidade que se entrega.
casamentos mentais, astrais, emocionais e até físicos
mas nada supera a dona da beleza dela, que é ela. só ela.
Formigamento pulsante de uma mente esborrada. Esborrar parece ser uma de minhas palavras favoritas, me esborro constantemente.
Agoniada e doada demais. Criativa pelo lado par e pelo lado ímpar. Sou a melhor narrativa de mim. Conto eu mesma minha história. Nasci livre pra isso e me aprisionei a mim.
Sofro de alegrias vulcânicas, tudo que explode e sai do controle é meu.
Hoje decidi que iria continuar dançando minha embriaguez pelo mundo.
Que coragem não me falte pra suportar os abraços negados.
Amor não sei dos nomes, mas sei do sentido dele em mim.
Nesse mundo de igualdades, cultivar a loucura que nasceu aqui é atividade diária.
Sou louca por tomar banho pelada em uma praia deserta?
Quem vai julgar meu corpo e minha atitude é o invisível de mim.
Multidão de mentes vazias pra mim é deserto. Para mim. Para, de.
Não vi declarações
Não fiz valer o pulso
Não fiz nada, senti
Senti o riso froxo
Senti o degradê da dor
Senti o sol inteiro
Senti a luz calada
Brilhei e fiz brilhar
Meu ano que não foi par
Imã de mim
Do mar para amar.
¶ Vivente
Vou voltar a escrever. Deixar dessa mania do abandono. Abandornar-me jamais, e eu sou o que consigo registrar pra memórias.
Já desisti e voltei tantas vezes, e tantas outras virão.
Porque sou isso: ida e vinda, desistência e recomeço.
Desejar o contrário ja foi vivido, e muitas vezes ainda é. Mas não é realidade. E minha intensidade é real.
Real pelo abuso de explorar o que se sente. Realista por prolongar o que é sentido. Vivendo, vivido.
Ser vivente indo e vindo, sou.
Sou tagarela de dna. Exercito o exercício de observar, calar. Pra mim é difícil, mas tento. Hoje sei que as respostas estão nas coisas, as perguntas também nas coisas. A dúvida, em mim. Em nós.
Olhar, ouvir, sentir, depois falar. Minhas verdades não são absolutas, mas esse processo que estou me permitindo vivenciar é, absolutamente, importantíssimo para meu crescimento como ser humano. Crescimento como ser que raciocina, vive no planeta, dentro do universo.
A Natalí de hoje sente mais do que sentia antes, ela é de muitos lugares, de muitos instantes. E mesmo que não seja nada, ela é. Até porque, até o nada representa alguma coisa. E as coisas carregam perguntas e respostas.
Céu escurecido, susto e arrepio
Lua.
A eterna cúmplice dos amantes, fervilhando igual a gente fica quando entra em transe. Aquele fogo ela roubou de mim, e a vontade de clarear tudo ela deve ter pego de ti.
Parecíamos estar sós, mas estávamos em multidões. Pensamentos meus e teus,
Alma minha e tua,
Meu corpo, o teu
A lua nua, Natalí sendo tua
E também eu sendo do teu eu.
De tão entendível, na verdade, essas misturas de momentos e sentimentos estão inexplicáveis. Só da pra escrever com poesia, o resto é só metade.
Metade amada, ilusória
Mil migalhas, outrora
Morte em vida, desmentida
Meu sentimento, lamento
Mente aflora, agora
Sobrevivendo e vivendo mundo a fora.
Fora.
¶ Acordar
Um coração tranquilo...
Acredita que a fé crua, cura.
A crença descoberta, desperta.
A calma vivenciada, abraça.
... O amor compartilhado, ultrapassa explicações, une situações, reforma razões, recomeça. Todos os dias.
Mas hoje eu largaria tudo, largaria do preço, do recomeço, jogava meu notebook fora, refazia as fotos. Largaria tudo se pudesse te ver daqui a uma hora.
Acordei, sentei na cama. Ouvi a chuva.
Abri a janela e tinha um pássaro equilibrado no fio do poste.
Quando direcionava minha vista para os olhos dele, via que abriam e fechavam como se o interesse fosse sentir a chuva molhá-los. E era.
O observei por pouco mais de 1h. Parada, em êxtase.
Dia ruim pra o motorista
Pra passageira
Pra cobradeira do amor pelas beras
Dia de sol chuvoso
Do tempo que não tem culpa
Da passageira sem abrigo
Ela que busca motivos pra caber nas cabeceiras
Louca, desvairada
Coleciona embriaguez, coleciona mágoas
O motorista já foi
E o ponto me engoliu as vírgulas
Nas reticências que fui amada
Aqui estou na espera de outras causas
Quem faz, explica como multidão em ação dentro do mundo do coração.
Simples, feito, e feito.
Depois se transformam em momentos de desfeitos, que acabam em castigo.
É inexplicável, o que se dá consigo na euforia da possessão.
O amor tem explicação?
Amor é calma, mas também é ação.
Querer ter, é o contrário de perder
E perder amando, é castigo musicado.
Dos tons que ouço ultimamente, tua voz vem guiando a letra
Ta tudo na minha mente, e ela não mente.
Dos encontros e encantos, me restou a vontade de ter e te ver por perto.
Em momentos desconexos, eu te anexo no protesto do meu passado inacabado.
E mesmo vivendo o presente intensamente, guardo sobre ti uma coxa de retalhos.
Uma música escondida no armário, e o fogo que não apaga com convidados.
Das incógnitas que me deixastes, permitir-te ficar por perto é a que mais me inquieta.
É meu desejo de não ser passado ou o teu amor que nunca será apagado? Os dois.
¶ Quarto
Do querer ao poder, por ter e não ser.
Dos tantos sem mantos, aos avanços com prantos
De tanto em tanto, encanto, em cantos
Cantinho sozinho, descanso.
Eu, sendo minha casa, tenho meus convidados
Alguns favoritos, preferidos. Outros que só ficam na lembrança, sem deixar de significar.
Eu, sendo minha casa, com paredes que precisam ser pintadas, ilustradas.
Desenhos significativos, ativos, sem pausa.
Eu, sendo minha casa, tenho a fase de não limpá-la
De deixá-la, abandoná-la
Mas tenho tempo de cuidar dos cômodos, preencher os vazios, curar as mágoas.
Eu, sendo minha casa, não sou besta e nem nada. Assumo ser casa linda, com reboco e tinta viva.
Das feridas que se tornaram amigas, da minha vida que hoje é lar. Meu corpo, meu templo. Guardo nele conhecimento. Vida, vento.
Coleção de cimento, colo reboco sem parar.