Acordei, sentei na cama. Ouvi a chuva.
Abri a janela e tinha um pássaro equilibrado no fio do poste.
Ventava forte e ele conseguia se equilibrar, a princípio não entendi qual o sentindo de estar na chuva podendo voar para qualquer lugar. Mas ele ali estava, ali ficou, ali sentiu, aquele era o momento do instante. O tempo real, sentido. O presente.
Quando direcionava minha vista para os olhos dele, via que abriam e fechavam como se o interesse fosse sentir a chuva molhá-los. E era.
O observei por pouco mais de 1h. Parada, em êxtase.
Quando direcionava minha vista para os olhos dele, via que abriam e fechavam como se o interesse fosse sentir a chuva molhá-los. E era.
O observei por pouco mais de 1h. Parada, em êxtase.
Estava sozinha observando um ser que, também sozinho, vivia sua escolha lá fora.
escrevi sobre um pássaro também, esses dias, mas não postei:
"PARDAL
pardal não é raça que apetece os amantes de pássaros
deles se vê em todo lugar, dizem
mas, na verdade, é por outro motivo:
não se engaiola um pardal
não é raça que interesse, insistem
mas pardal preso morre
e isso, pra mim, o torna mais
raro ainda
o único pássaro que pode se permitir livre
que não precisa de ibama ou coisa do tipo,
que bate as asas, fica onde quer
e nem sabe a sorte que tem"
quando aprender a voar, eu posto.