Posso falar sobre chás? Posso.
Tomo chá porque gosto, e essa é parte mais
divertida desse meu inverno super frio. Brinco de acompanhar o caminho que o
chá faz dentro do meu corpo. Esquentando meu interior como uma paixão dentro de
um abraço tonto. É estranho, mas parece que sinto vontade de continuar assim
como estou agora e como venho falado em todos os meus últimos textos:
solitária. Mas minha solidão tem acompanhantes, da pra entender? Existe o
incomodo de ter quer dividir a solidão, de ter que dar satisfação sem dizer
não. Então eu venho, me tranco e começo a escrever. E fico assim, escrevendo
meio troncha, sem saber ao certo o que dizer.
Diversas vezes eu senti o engando gosto da
conclusão. Senti por uns instantes que todo esse lamento cheio de lágrimas não
passava de drama. Melancolia forçada. Ilusão. Mas me enganei, que pena. Daria
tudo pra que fosse conclusão. Por isso continuo escrevendo sem começo, porque é
tudo continuação.Recuso-me a viver dentro de uma rotina
inventada, imposta. Por isso luto até contra mim mesmo pra mais tarde não
sofrer, também, com isso.
Quando quero sentir felicidade, agarro-me a
esperança. Linda, linda é a esperança! Jogo em uma tela gigante todos os meus sonhos,
e começo a adiantá-los e chego a sentir o gosto de como é vive-los. E o gosto é
bom.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
·
(No comments)
¶ Avulso
O sono em forma de abraço. E eu, que penso
nada ter, agora o tenho de lado.
Detalhes corridos de trauma detalhado,
Seria meus ouvidos que estão calados? Ou o
dia que vive de lado?
Seria tu em mim e você no eu, porque ouvi
dizer que quando se ama duplica-se de tamanho. E desejo ser grande assim. Não
sei quem é você, mas insisto em descobrir porque escrevo pra você e não tenho
respostas. Mas respostas pra quê... Se eu me respondo o tempo todo sem querer?
Queria saber de onde nasce o barulho do
silêncio, porque o cosmo que já vive em mim contou-me que tudo é sobrenatural.
E em cima do natural estar o sobre, e que dentro do sobre estar o segredo, e
que por trás do segredo estar o som. Caminho confuso.
Espera... Ouço vozes, estão todos
acordados. Então essa madrugada não é só
minha. Desconheço madrugadas de multidão, multidão forçada que envolve o meu
chão...
Na sala, algo estranho
Diálogo de contra-mão
Vãos cheios de tralhas
Vazio sem perdão.
É gente que acha que conversa mas só sabe
dizer não.
Porque aqui escrevo se ninguém me lê?
Porque eu me leio, e isso me constrói. A escrita pra mim anda ao lado da
fotografia, a diferença é que fiz da fotografia minha profissão, e da escrita
minha missão. Talvez uma complemente a outra e me torne o que sou.
A dias estou trancada dentro de mim, um isolamento cheio de sentidos e gritos. Não
ignoro a fala, a convivência, o contato. Mas evito-os. Preciso desse retiro
espiritual interior, desse aprofundamento com a leitura, sobre o que é e o que
sou. Estaria de acordo a começar a escrever um livro. Me sinto estimulada o
suficiente pra isso, porém tenho preguiça de enganchar as palavras, então vou
escrevendo em textos soltos que no fim se unem.
Não quero transformar esse ato em sacrifício, porque agora ele é minha
cura.
Tenho pouco mais de 90 dias nessa aventura
que me permiti. Uma aventura estranha, confusa o suficiente pra me deixar
ciente do que me torno com ela. As vezes me vejo narrando o eu, e é o que farei
agora... Natalí que se sente gorda, mas a gordura vem das palavras que ela não
põe pra fora. O peso do seu corpo é derivado da tensão de, paradoxalmente, não
poder jogar-se ao mundo lá fora. E tudo que ela passa a viver estar dentro si. Pronto,
a narrativa para por aqui, volto a primeira pessoa, ao eu que te escrevo agora.
Ao ler-me em textos antigos, observo que há
uma necessidade de ter o motivo. O motivo é o Ele, e esse Ele que falo pode ser
você que me lê. Envolvo toda história vivida em uma bolsinha de sílabas e
começo a espremer forte, o que sai é palavra de verdade. E te garanto que não
penso muito sobre elas, simplesmente fluem, saem como expulsão.
A alguns meses crio fatos na memória pra
driblar a solidão. Parece apavorante, e é. É porque eu me permiti a isso. Sinto
uma enorme vontade de aprofundar-me na música, deixar de ser só canto e ser som
de objeto também. Mas algo me diz, algo de dentro, que meu canto é suficiente
já que minha procura é pelo som acompanhante. Já que minha procura é mais que por um simples par, quero música segurando a minha mão, pra acompanhar minha canção
quando eu sentar. Pra depois ir a uma varanda e agradecer a lua por ter um par.
É que eu gosto de cantar baixinho pra alguém, gosto de fingir que sei cantar. Subir
em um palco imaginário e mostrar-me a uma plateia que é de uma pessoa só. Essa
plateia que também é minha banda, me acompanha.
Devo estar em transe, na verdade nunca vou
saber ao certo o que é transe. Mas posso definir o agora: Barulho lá fora que
parece um empurrão pra minha memória, silêncio aqui dentro que se transforma em
carinho pro meu lamento, palavras eufóricas que brotam, minha visão cheia de
teclas dançantes e um par de mãos que deslizam rapidamente sobre o teclado. Chega
uma hora que a gente não consegue dominar o que escreve. Depois de muito tempo
calada, quando sento pra escrever parece que encontro uma melhor amiga de
infância, e os assuntos surgem assim sem tanto sentindo. Porque o mais
importante é tirá-los um pouco de dentro. E acho que é por isso que escrevo:
Para dar um recreio aos meus pensamentos, para que eles fiquem livres pra o mundo, e
pra que possam encontrar alguém que os admirem fora de mim.
terça-feira, 2 de julho de 2013
·
(No comments)
¶ Traduzir
Noite cheia de pessoas, com pessoas cheia da noite. Em meio a isso
encontram-me, aproximam-se... E como conversa de ventilador algum papo nasce na
sala, e eu pulsando de curiosidade sobre os próximos assuntos que viriam.
Nascia ali um daqueles acontecimentos que precisam ser escritos, lembrados e
falados. Foi tudo muito simples, em um pedaço de calçada eu ouvia alguém que
sem saber me traduzia.
A dificuldade com o idioma só fez deixar a
conversa mais encantadora, porque enquanto eu tentava explicar o que dizia ele
interrompia e, novamente, me traduzia. A lua acompanhava em silencio, fez força
pra parecer sol e me esquentar. Porém
nada adiantaria, pois meu corpo estava
frio, mas minha mente em brasa criava asas e esquecia daqueles malditos graus
de uma noite gelada.
Sim, foi mágico. Eu estava esperando por um
encontro como esses pra preencher meus dias de fantasias. Um amor platônico de
um dia, quiçá uma temporada, uma vida... Porque o bom, e mais gostoso, dessas
paixões de minutos é que a gente se enche de esperança sem querer. E ai estar a
verdadeira magia de um encontro: esperar sem querer demonstrar, viver pra
querer rever, reaproximar, e lançar-se à difícil tarefa de auto controlar-se
pra poder se preencher.
Quando eu nada entendia, ocupava os
momentos desenhando aquela barba macia. Gravando cada detalhe do contorno pra
poder lembrar no outro dia. Sabia que naquele momento eu poderia me perder no
escuro, mas estava proibida de perder-me no óbvio de minhas vontades. Meus
valiosos desejos ocultos, que abertamente passaram de ocultos pra melancólicos.
Mas não foi por querer, é que na minha confusão interna eu adiantei,
naturalmente, a pesada lembrança da ida.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
·
(No comments)
Agora sou eu, exatamente eu. Corpo-a-corpo comigo mesma, sem
reflexos e apenas sobre versos. Bastaria olhar para o lado e encontrar motivos,
cores, tempos dentro do tempo. E se assim fosse eu o faria com passos lentos e
olhos “cerrados”, porque agora há um espelho interno que anda refletindo tudo do lado errado.
Mesmo assim eu seguiria pra conhecer o desconhecido apresentado. Na chegada abriria os olhos, não para
enxergar o óbvio, mas pra me ver refletida em pupilas estranhas e decifrar o
que é visto, detalhar o que me torno agora.
Quando os momentos não acontecem,
simplesmente os invento. Invento-os vivendo dentro da invenção. Na
prática provo o gosto do sonho vivo, que depois – não necessariamente, mas
quase sempre – torna-se pesadelo. Isso, de fato, acaba transformando-se em um
fluxograma.
Vez ou outra deparo-me com situações familiares, mas apresentam-se
travestidas de novas e assim me enganam. Vivo-as intensamente, como qualquer
outro ponto ou linha dessa minha história. Isso acaba construindo e,
definitivamente, definindo quem sou eu. Tais
situações me envolvem de fantasias tontas, mascaradas de pura carência de quem
quer o outro, de quem deseja o próximo. E todo esse tamanho cabe na descoberta
diária...
Mais tarde o sono vem, provando-me que não sou de mais ninguém e que
nem essa – muito menos aquela – carência me tem. Por que anda tudo parecendo
capa, uma em cima da outra pra cobrir todas as falhas. Mas que falhas se o que
antecede todo o fato é a coragem? (...) E embora não seja algo aceitável, sou
eu mesma assim como me criei. Mas dentro daqui, daqui de dentro. E o que resume
o lado de cá é apenas uma palavra: impulso.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
·
(No comments)
Você pesquisa, persiste.
Preenche o vazio que existe, insiste.
Porém, o que progride é apenas uma parte do
que te desperta.
A busca, então, torna-se infinita
Você mergulha em doutrinas, filosofias e
preguiças.
E nesse emaranhado vai se descobrindo cada
vez mais
Tornando eficaz o que todos julgam como
incorreto.
Se a vontade é de se trancar, tranque-se.
Se é de esquentar, esquente-se.
Se é de observar, apenas observe.
E se é de amar, ame-se.
Porque essa busca por identidade, antes de
virar infame, te completa e te consome.
terça-feira, 25 de junho de 2013
·
(No comments)
¶ Talvez?!
Talvez tudo volte
Talvez nada torne
Talvez o velho se renove
O passado vire presente
O futuro vire passado
Mas o amor vai ficar de qualquer lado
Talvez o velho se renove
O passado vire presente
O futuro vire passado
Mas o amor vai ficar de qualquer lado
Por que esse não tem talvez
Tem Natalí mais uma
vez apaixonada pelas maravilhas do mundo.
Que siga, que leve, que milhares de “talvez” me carregue. Mas que nada, porém se entregue ao mal de viver preso sem neve. (L)
Que siga, que leve, que milhares de “talvez” me carregue. Mas que nada, porém se entregue ao mal de viver preso sem neve. (L)
sábado, 12 de janeiro de 2013
·
(No comments)
Tecnologia do Blogger.