Se eu fosse só, talvez fosse menos só.
E se a vida fosse só minha, talvez eu fosse mais minha.
Não sou de ninguém. E o mundo me consome...
Ele e todas as suas maravilhas, confusões, estradas e entranhas.
E quem pensou o contrário que me desculpe, mas minha maior vontade é de sair por ai com uma mochila nas costas e uma câmera na mão...
Se a solidão não fosse tão dura, talvez experimentá-la com mais frequência fosse a solução. Mas não é.
A vibração do caos é forte demais, e quando este se aproxima, corro pra um lugar seguro: Um colo, a paz.
Mas depois me sinto livre novamente, e com vontades incontroláveis e lembranças inevitáveis.
Seria uma prisão sem vão, ou uma mente sem chão?
Me arrependo de alguns trechos de minha história, até dos que não vivi/escrevi. Por isso vivo, e vivo na esperança de me sentir completa algum dia, lendo minha história em um lugar seguro, vendo em minha pele os retratos do tempo através da tinta que estar por vir.
Hoje eu acordei revoltada, com sede de revolução.
No desejo de alucinação, grão em grão.



Sono e calma
Sentido e alma
Amor e palavra.
Deitarei, dormirei, acordarei as cinco ou seis
E sentirei o orvalho por ti, por mim.



Daqui eu vejo a noite dormir.
Longe de tudo e de todos, dou carinho a escuridão e estendo minha mão ao silêncio noturno. O dia já está amanhecendo, jajá é sol, jajá é dia.  Os pingos de chuva já estão na minha sala e esborram na vasilha que botei enquanto a noite ainda nascia. Jajá ela morre e me entrego ao dia.
O sono foi embora a muito tempo, a quase trêz dias. Fico folheando as páginas da minha agenda procurando alguma programação para distrair a vida. Mas as páginas estão vazias, apenas com pedaços de mim...
A chuva acabou de sorrir!
Vou na janela ver a luz nascer e a chuva cair...



Lembro-me bem... Você a me esperar! Sentado no banco da praça como em uma sala de estar. Chegando lá, deparo-me com um comentário de quem quer reclamar. Mas no fundo você queria dividir a ansiedade que suportou ao me esperar...
E é pra falar de amor? Então falarei do mar...
Lá, por trás daquela jangada você sorria pra mim. Me sentia e me envolvia com abraços.
E eu tentava esconder o estrago feito com a flor que tu me destes. Naquele momento a proteção estava presente, junto com o mar, com teu amor, com o céu escuro e a lua assistindo nosso encontro. Você falava fácil, olhava fácil, com aquele pensamento profundo e com aquele balançado confuso. O que me fascinava e fazia impressionar.
Das conversas que tivemos, as melhores tiveram a presença do mar. E isso me faz ter certeza que iremos nos reencontrar. Só não me peça pra dar certezas que não tenho, pois acompanho outros amores. E eles me protegerão até você chegar.



Meu canto canta triste, canta cansado e desafinado
Um som perigoso, de grave débil
Meu pássaro voa sem asas, voa na brasa
Meu abraço abraça lento, vai no vento
Meu sorriso? Meu sorriso  vai de balança
De leve ele dança, numa medida imediata
Numa transparência opaca.
Minha vida vai de trás
Trazendo o que está por trás e assim caminha...
Leve ela vai.



A vida passa desfilando por mim.
Acompanha as tendências e estações
Antes vestida de verão, e agora vestida de inverno.
Molhada pela chuva, ela passa toda pozuda. E fico só de olhar...
Enquanto tantos fazem esforço pra mudar minha rotina, me escondo no sono, no sonho, no pesadelo, no descanso.
Meu apelo as vezes cansa. Não aproveito mais o dia como deveria, não leio como deveria, não alegro como poderia. Se não é o caos, é o tédio, e se nada for eu me nego.
E fico aqui, olhando e vivendo esta lacuna.



Ultimamente meus dias caminham voltados para desejos. Uma coleção de amores platônicos e uma multidão de problemas encreiqueiros.
É incrível como as coisas aparecem de forma súbita. Um comentário súbito, um desejo súbito, uma olhada súbita...
Não sei dizer como estou por completo, sinto-me no retalho de mim. Sou um tecido de textura firme, porém, que vive mostrando os fiápos. E a cada dia que passa, cresce a dificuldade de torná-los imperceptíveis. Ai está a grande questão: Perceber o mundo, e ser por ele percebida. Querer ser percebida, e viver aprisionada.



Tecnologia do Blogger.