Observar mais, sentir e ser mais, absorver sentidos. 
Li em algum lugar, que carroça vazia faz muito barulho. Carroça cheia demais quebra, não suporta o peso. É ai que entra o sentido do compartilhar.
Sou tagarela de dna. Exercito o exercício de observar, calar. Pra mim é difícil, mas tento. Hoje sei que as respostas estão nas coisas, as perguntas também nas coisas. A dúvida, em mim. Em nós.
Olhar, ouvir, sentir, depois falar. Minhas verdades não são absolutas, mas esse processo que estou me permitindo vivenciar é, absolutamente, importantíssimo para meu crescimento como ser humano. Crescimento como ser que raciocina, vive no planeta, dentro do universo.
A Natalí de hoje sente mais do que sentia antes, ela é de muitos lugares, de muitos instantes. E mesmo que não seja nada, ela é. Até porque, até o nada representa alguma coisa. E as coisas carregam perguntas e respostas.



Céu escurecido, susto e arrepio
Lua.
A eterna cúmplice dos amantes, fervilhando igual a gente fica quando entra em transe. Aquele fogo ela roubou de mim, e a vontade de clarear tudo ela deve ter pego de ti.
Parecíamos estar sós, mas estávamos em multidões. Pensamentos meus e teus,
Alma minha e tua,
Meu corpo, o teu
A lua nua, Natalí sendo tua
E também eu sendo do teu eu.
De tão entendível, na verdade, essas misturas de momentos e sentimentos estão inexplicáveis. Só da pra escrever com poesia, o resto é só metade.




Metade amada, ilusória
Mil migalhas, outrora
Morte em vida, desmentida
Meu sentimento, lamento
Mente aflora, agora
Sobrevivendo e vivendo mundo a fora.
Fora.



Acordar

Um coração tranquilo...
Acredita que a fé crua, cura.
A crença descoberta, desperta.
A calma vivenciada, abraça.
... O amor compartilhado, ultrapassa explicações, une situações, reforma razões, recomeça. Todos os dias.





É sempre assim: acumulo responsabilidades e logo me sinto cansada, atraso tudo descaradamente. Pago o preço, recomeço.
Mas hoje eu largaria tudo, largaria do preço, do recomeço, jogava meu notebook fora, refazia as fotos. Largaria tudo se pudesse te ver daqui a uma hora. 



Acordei, sentei na cama. Ouvi a chuva.
Abri a janela e tinha um pássaro equilibrado no fio do poste. 

Ventava forte e ele conseguia se equilibrar, a princípio não entendi qual o sentindo de estar na chuva podendo voar para qualquer lugar. Mas ele ali estava, ali ficou, ali sentiu, aquele era o momento do instante. O tempo real, sentido. O presente.
Quando direcionava minha vista para os olhos dele, via que abriam e fechavam como se o interesse fosse sentir a chuva molhá-los. E era.
O observei por pouco mais de 1h. Parada, em êxtase.
Estava sozinha observando um ser que, também sozinho, vivia sua escolha lá fora.



Rimo com tristeza
Vendo o  ovo fritar
O sol esquentar

Acordei primeira pessoa
Vi o nascer do sol virar garoa
E minha cama vazia, ainda está

Te vi passar despercebido
Quis falar no teu ouvido
Pra onde queria te convidar


Acordei cedo pra trabalhar
Não fiz sanduíche, não posso chorar
Pisei no chão, preciso caminhar sozinha
Mas meu paradoxo é afirmar sem saber... Sou meu lar?



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