Noite cheia de pessoas, com pessoas cheia da noite. Em meio a isso encontram-me, aproximam-se... E como conversa de ventilador algum papo nasce na sala, e eu pulsando de curiosidade sobre os próximos assuntos que viriam. 
Nascia ali um daqueles acontecimentos que precisam ser escritos, lembrados e falados. Foi tudo muito simples, em um pedaço de calçada eu ouvia alguém que sem saber me traduzia.
A dificuldade com o idioma só fez deixar a conversa mais encantadora, porque enquanto eu tentava explicar o que dizia ele interrompia e, novamente, me traduzia. A lua acompanhava em silencio, fez força pra parecer  sol e me esquentar. Porém nada adiantaria,  pois meu corpo estava frio, mas minha mente em brasa criava asas e esquecia daqueles malditos graus de uma noite gelada.
Sim, foi mágico. Eu estava esperando por um encontro como esses pra preencher meus dias de fantasias. Um amor platônico de um dia, quiçá uma temporada, uma vida... Porque o bom, e mais gostoso, dessas paixões de minutos é que a gente se enche de esperança sem querer. E ai estar a verdadeira magia de um encontro: esperar sem querer demonstrar, viver pra querer rever, reaproximar, e lançar-se à difícil tarefa de auto controlar-se pra poder se preencher.

Quando eu nada entendia, ocupava os momentos desenhando aquela barba macia. Gravando cada detalhe do contorno pra poder lembrar no outro dia. Sabia que naquele momento eu poderia me perder no escuro, mas estava proibida de perder-me no óbvio de minhas vontades. Meus valiosos desejos ocultos, que abertamente passaram de ocultos pra melancólicos. Mas não foi por querer, é que na minha confusão interna eu adiantei, naturalmente, a pesada lembrança da ida. 



Agora sou eu, exatamente eu. Corpo-a-corpo comigo mesma, sem reflexos e apenas sobre versos. Bastaria olhar para o lado e encontrar motivos, cores, tempos dentro do tempo. E se assim fosse eu o faria com passos lentos e olhos “cerrados”, porque agora há um espelho interno  que anda refletindo tudo do lado errado. Mesmo assim eu seguiria pra conhecer o desconhecido apresentado.  Na chegada abriria os olhos, não para enxergar o óbvio, mas pra me ver refletida em pupilas estranhas e decifrar o que é visto, detalhar o que me torno agora.
Quando os momentos não acontecem,  simplesmente os invento. Invento-os vivendo dentro da invenção. Na prática provo o gosto do sonho vivo, que depois – não necessariamente, mas quase sempre – torna-se pesadelo. Isso, de fato, acaba transformando-se em um fluxograma.
Vez ou outra deparo-me com situações familiares, mas apresentam-se travestidas de novas e assim me enganam. Vivo-as intensamente, como qualquer outro ponto ou linha dessa minha história. Isso acaba construindo e, definitivamente, definindo quem sou  eu. Tais situações me envolvem de fantasias tontas, mascaradas de pura carência de quem quer o outro, de quem deseja o próximo. E todo esse tamanho cabe na descoberta diária...

Mais tarde o sono vem, provando-me que não sou de mais ninguém e que nem essa – muito menos aquela – carência me tem. Por que anda tudo parecendo capa, uma em cima da outra pra cobrir todas as falhas. Mas que falhas se o que antecede todo o fato é a coragem? (...) E embora não seja algo aceitável, sou eu mesma assim como me criei. Mas dentro daqui, daqui de dentro. E o que resume o lado de cá é apenas uma palavra: impulso. 




Você pesquisa, persiste.
Preenche o vazio que existe, insiste.
Porém, o que progride é apenas uma parte do que te desperta.
A busca, então, torna-se infinita
Você mergulha em doutrinas, filosofias e preguiças.
E nesse emaranhado vai se descobrindo cada vez mais
Tornando eficaz o que todos julgam como incorreto.
Se a vontade é de se trancar, tranque-se.
Se é de esquentar, esquente-se.
Se é de observar, apenas observe.
E se é de amar, ame-se.

Porque essa busca por identidade, antes de virar infame, te completa e te consome.




Talvez tudo volte
Talvez nada torne
Talvez o velho se renove
O passado vire presente
O futuro vire passado
Mas o amor vai ficar de qualquer lado
Por que esse não tem talvez
Tem Natalí mais uma vez apaixonada pelas maravilhas do mundo.
Que siga, que leve, que milhares de “talvez” me carregue. Mas que nada, porém se entregue ao mal de viver preso sem neve. (L)




Descontrolada, compulsiva, depressiva, às vezes invasiva...
Bem querida, distraída, sensitiva, às vezes extremista.
Posso ser o que for, o que eu quiser ser, o que os outros quiserem que eu seja,
Mas no fundo quem controla meu eu é algo bem maior de tudo que sou e do que fui.
Há tempos eu deveria ter vindo aqui, porque escrever sempre fez parte de mim.  
Mas não vim, e errei por isto. Neguei-me ao caderno, neguei minha própria história na folha. Fiz de conta que essa parte da minha vida não precisaria estar escrita por ser “corrida” demais. E errei mais uma vez.
Quando pensei não ter mais o sentimento dominante o encontrei em outro alguém
Não deveria ser assim... Mas foi. Até porque eu encontraria tudo que preciso dentro de mim. Mas, em determinadas  fases, ter alguém responsável por sua felicidade é necessário e imensamente prazeroso.

Posso entrar e sair do lugar que eu quiser,  porque eu sei de mim e sei onde estive e o motivo de ter estado lá.
Muitas vezes nos confundimos com as escolhas que tomamos, mas depois de vivê-las intensamente descobrimos que foi preciso realizar o incerto para torna-lo certo e viver o impossível para torná-lo possível e fixo.
Você lê agora uma Natalí refletida em dois espelhos: O da emoção e o da razão, não me pergunte o que cada um diz sobre mim, pois o que vejo é delicado e intenso. Há essa hora qualquer drama poderia ser feito, mas não é preciso porque o momento já foi eleito...
Nunca duvide de minha sanidade, porque sou verdadeira até nos meus momentos loucos.
Passo por cima do que for preciso pra salvar um sentimento benéfico... Sou intensa, sou minha. E quando me permito ser de alguém é porque me sinto segura e confiante.
Sossego, paz, amor e sensibilidade. São palavras que pra mim significam busca e desejo.  As vezes tenho todas,  as vezes algumas, mas nunca nenhuma. Porque a sensibilidade nasceu comigo.
E se é pra viver com intensidade, não reclame do meu choro nem do meu rizo, sinta quem eu sou assim como faço. 



Se fosse apenas lembrança seria comum, mais fácil... Mas faz parte de mim, é real.
Sou feita de lembrança, minhas partes, minha mente, canto por canto.
A memória falha mas nunca apaga.... Ta tudo guardadinho.
Hoje eu tenho amor dentro de mim - não que eu nunca tivesse antes -  mas agora é diferente, tenho um amor meu, amor por quem sou, por quem quero ser, pelo que faço com as pessoas.
Tenho mais motivos pra rir do que pra chorar, mas motivos pra continuar do que pra estacionar, mais motivos pra viver e acreditar na vida como o todo.
Quero paz, paz aqui perto de mim, dentro de mim.




Quero emoldurar minha alma desses 19 anos. Nos 20 emoldurarei o projeto de felicidade que esta sendo pensado. Talvez essa seja uma fase assim, fase. Fase da fase. Traços de saudade, traços de descoberta, amor, cor, som, luz, cheiro.
Meu meio justifica o meio e não meu fim, porque esse fim não existe. As coisas estão boas e prontas a todo tempo, mas cabe ao lamento querer fugir pra dar lugar ao que possa existir. 
Fecho os olhos e respiro, sinto, fico calma. Deixando pra lá tudo que acaba sendo tão nada. Essa tal de formação emassada, toda formulada, isso não serve pra mim. Mas serve, talvez, pra montar minha bula. Eu já tô cabreira e cabeluda.
Quero paz, nada de bens materiais. Amigos, copos com pouco gelo, risadas, cantos e encantos. Quero isso tudo! Mas também quero amor, fotografia sentida, família amiga e mais nada. 



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