Lembro-me bem... Você a me esperar! Sentado no banco da praça como em uma sala de estar. Chegando lá, deparo-me com um comentário de quem quer reclamar. Mas no fundo você queria dividir a ansiedade que suportou ao me esperar...
E é pra falar de amor? Então falarei do mar...
Lá, por trás daquela jangada você sorria pra mim. Me sentia e me envolvia com abraços.
E eu tentava esconder o estrago feito com a flor que tu me destes. Naquele momento a proteção estava presente, junto com o mar, com teu amor, com o céu escuro e a lua assistindo nosso encontro. Você falava fácil, olhava fácil, com aquele pensamento profundo e com aquele balançado confuso. O que me fascinava e fazia impressionar.
Das conversas que tivemos, as melhores tiveram a presença do mar. E isso me faz ter certeza que iremos nos reencontrar. Só não me peça pra dar certezas que não tenho, pois acompanho outros amores. E eles me protegerão até você chegar.
Meu canto canta triste, canta cansado e desafinado
Um som perigoso, de grave débil
Meu pássaro voa sem asas, voa na brasa
Meu abraço abraça lento, vai no vento
Meu sorriso? Meu sorriso vai de balança
De leve ele dança, numa medida imediata
Numa transparência opaca.
Minha vida vai de trás
Trazendo o que está por trás e assim caminha...
Leve ela vai.
A vida passa desfilando por mim.
Acompanha as tendências e estações
Antes vestida de verão, e agora vestida de inverno.
Molhada pela chuva, ela passa toda pozuda. E fico só de olhar...
Enquanto tantos fazem esforço pra mudar minha rotina, me escondo no sono, no sonho, no pesadelo, no descanso.
Meu apelo as vezes cansa. Não aproveito mais o dia como deveria, não leio como deveria, não alegro como poderia. Se não é o caos, é o tédio, e se nada for eu me nego.
E fico aqui, olhando e vivendo esta lacuna.
¶ Desabafo
Ultimamente meus dias caminham voltados para desejos. Uma coleção de amores platônicos e uma multidão de problemas encreiqueiros.
É incrível como as coisas aparecem de forma súbita. Um comentário súbito, um desejo súbito, uma olhada súbita...
Não sei dizer como estou por completo, sinto-me no retalho de mim. Sou um tecido de textura firme, porém, que vive mostrando os fiápos. E a cada dia que passa, cresce a dificuldade de torná-los imperceptíveis. Ai está a grande questão: Perceber o mundo, e ser por ele percebida. Querer ser percebida, e viver aprisionada.
Feiche os olhos, por favor...
Imagine um belo jardim, com um verde brilhante, passar 24 meses sem nenhuma flor... Pode?
Você fala fácil.
Apagou lembranças que eram muito importantes pra mim. Estas que só pertencem a mim agora. Por isso minha vida vive só e meus sonhos me completam, durmo e sonho, durmo e tenho pesadelos.
Pra mim não é fácil esquecer lembranças boas, ainda mais quando elas estão arranhadas e incompletas por erro meu ou teu.
Minhas palavras ficaram incompletas naquele dia e só você teve direito a fala, e agora te digo: Tenho certeza que a frustração que lhe falei me acompanhará pelo resto da vida, pois resta um sentimento e ele permanecerá intacto se depender de mim. Esperando que a vida se encarregue de mudar algo.
Sempre fui louca por tua mente e fascinada por teus escritos. Sei que a vida guardava algo para nós dois. Hoje vivo um paradoxo, sou feliz, mas tenho um curativo mental que ainda é criança...
Seja o que for, minhas queixas de nada valem pra você. Você me exclui frequentemente e ainda diz que estou no passado, como pode?
De tudo que vivo, retiro os piores e os melhores feitos. Ponho na balança e vejo o que pesa mais.
Esse final de semana, cheguei a conclusão que minha tolerância e minha paciência precisam engordar para emagrecer os problemas!