Em estado de carência não posso ficar sozinha, é perigoso demais. As lembranças sentem e vem tirar minha paz.  Parece ser nada demais, mas o passado me atrai. E começo a lutar pra que seja tarde demais, pra viver o que ta aqui, pra viver a cura no cais, dos tais. 
Bombardeio de emoções, de sentimentos que parecem vans, mas não são.

Há tanta coisa escondida que precisa ser sentida. Há tanto de mim por ai, tantos retratos na gaveta, tantos textos soltos, não lidos, escondidos. Fico deixando pra trás, evitando, negando e confundindo os sentidos ainda mais.
Inesperadamente, ou inexplicavelmente, surge o encanto. E no meio de tanto pranto eu encontro a paz. Mas não é paz, só paz é pouco, é algo mais... É vida sentida, detalhada num ninho. Com rítmo, com doses extremas e incertas demais.
Muita coisa estar por vir, não sei de mim nem de ti. Só sei que estamos aqui. E ando querendo que essa história não tenha fim. Não sei o depois, absorvo essa vontade louca e espero. Prefiro viver assim. 



 Deixa eu me esconder ai, nesse teu sentido progressivo. 
Agora eu quero alegria, fantasia... Liberté.
O que sobrou do que nos uniu foi a chuva, e ela está aqui me fazendo companhia agora.
Ontem a gente fez poesia sem saber, mas deu pra sentir. E enquanto você cantava ai, me tocava aqui.  
Com um segredo e de tal jeito que me fez sorrir. Tudo tão subtendido, engraçado, telepático... Fantástico.
Me assusto, confesso. Mas deixo quieto e deixo aberto pra tudo que vier de ti pode entrar.



Quando criança eu observava as pessoas, sempre me achei estranha, pensava em coisas que me pareciam loucas. Hoje cresci e penso igual. As vezes tudo é normal e de uma hora pra outra tudo é estranho, surreal. Não me julgo normal, nem anormal. É questão de ser, e eu sou, apenas. Mas não sei o que. Essa oscilação nunca vai mudar, essa constante será eternamente parte da minha vida. Milhares de caminhos pra percorrer e muitas paradas pra fazer, estou aqui sem sair do lugar! E agora a questão não é ser, é estar! Estou curta, breve, leve.
Gosto de observar, amo observar. Gosto de ser consumida, detalhada. Dentro de mim sou uma mulher, sou independente. No espelho sou apenas um ser que não sabe o que quer. Na realidade, uma interrogação, reticências, exclamação.
Hoje é tempo de analisar, lembrar de toda minha infância. Comparar os traços e ver que os desejos que tive não são tão diferentes dos que tenho. Devo seguir os meus conselhos, os meus conceitos. Embora estranha, me sinto mais feliz. Sem medo de me lançar no vazio, tendo coragem suficiente pra arriscar o novo, o desconhecido.



Solta

A saudade se confunde com as vontades e nesse vazio eu me perco, outra vez.
Não é bem isso que quero falar. Como na maioria das vezes, a palavra me conforta e depois sai correndo.
Um incenso, um café frio,  um sono sombrio, uma carência com frio. Uma sala vazia e sem companhia, nem de noite nem de dia.
Foi isso que eu quis? O que foi que eu fiz?
Prefiro acreditar que ainda há tempo e ainda há muita água no mar.
Muita coisa ainda precisa sair de mim, e muita coisa precisa entrar, se encaixar. Os pensamentos e as idéias andam soltas demais. As vontades falam mais. A sede pede mais. E meu corpo cala, sente.
Voaria agora se pudesse, e observaria tudo, todos. Sentiria o frio, sentiria sono, acordaria! Tudo não passaria de sonho!
Não sei a quem peço ajuda, pareço louca, ando solta. Falo sem armas, falo da alma e com a alma. Falo até calada. Com os olhos. Na calma.
Viajarei agora, o silêncio já estar aqui. Abriu a porta! Fim.



Afastar-se e aproximar-se
Vontades e impossibilidades
Sonhos e muita realidade
Novamente, vontade. E possibilidade
Borboletas voando em um estômago vazio
Arrepios, romances, fetiches... E ponto.
Pessoas, sentimentos, sentidos.
Eu sei, eles não gostariam de estar no mesmo lugar.
Mas estão. Dentro de mim.



O silêncio que acalma é o mesmo que irrita
E na tentativa de salvar a hora, esqueço o relógio
Paro o tempo. Ele ta de bobeira então é meu
Provisoriamente um sorriso sairá, aqui nesse lar
Nessa noite, nesse lugar... Será apenas pra mim
No espelho vou encantar, a dupla exposição
(...)
E já sei o que acontece: Quando canto e a dor amortece, me toco e esse toque é mudo. De onde vem o som?



Esse desapego não é em vão, pode ter certeza. Hoje, amo mais a mim.
O encontro já foi desencontro, e o encanto também já foi espanto.
Não quero nada além de vida e tempo para vivê-la
Sempre me senti bem, estando sozinha, e por que isso agora?
Não Natalí, não seja assim. Tchau!
Aqueles livros na estante precisam ser lidos, aquelas tintas da cesta precisam ser usadas...
Há muita coisa a ser feita.
O que existe dentro dessa mente confusa, é fruto dos anos que você adiantou para poder amadurecer.
Nesse quarto cheio de lembranças dolorosas, também existe aquilo que você já foi e que amava ser...
Esqueça o que quiser, lembre do que quiser. Abra sua mente, faça isso agora!



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