Deixa eu me esconder ai, nesse teu sentido progressivo. 
Agora eu quero alegria, fantasia... Liberté.
O que sobrou do que nos uniu foi a chuva, e ela está aqui me fazendo companhia agora.
Ontem a gente fez poesia sem saber, mas deu pra sentir. E enquanto você cantava ai, me tocava aqui.  
Com um segredo e de tal jeito que me fez sorrir. Tudo tão subtendido, engraçado, telepático... Fantástico.
Me assusto, confesso. Mas deixo quieto e deixo aberto pra tudo que vier de ti pode entrar.



Quando criança eu observava as pessoas, sempre me achei estranha, pensava em coisas que me pareciam loucas. Hoje cresci e penso igual. As vezes tudo é normal e de uma hora pra outra tudo é estranho, surreal. Não me julgo normal, nem anormal. É questão de ser, e eu sou, apenas. Mas não sei o que. Essa oscilação nunca vai mudar, essa constante será eternamente parte da minha vida. Milhares de caminhos pra percorrer e muitas paradas pra fazer, estou aqui sem sair do lugar! E agora a questão não é ser, é estar! Estou curta, breve, leve.
Gosto de observar, amo observar. Gosto de ser consumida, detalhada. Dentro de mim sou uma mulher, sou independente. No espelho sou apenas um ser que não sabe o que quer. Na realidade, uma interrogação, reticências, exclamação.
Hoje é tempo de analisar, lembrar de toda minha infância. Comparar os traços e ver que os desejos que tive não são tão diferentes dos que tenho. Devo seguir os meus conselhos, os meus conceitos. Embora estranha, me sinto mais feliz. Sem medo de me lançar no vazio, tendo coragem suficiente pra arriscar o novo, o desconhecido.



Solta

A saudade se confunde com as vontades e nesse vazio eu me perco, outra vez.
Não é bem isso que quero falar. Como na maioria das vezes, a palavra me conforta e depois sai correndo.
Um incenso, um café frio,  um sono sombrio, uma carência com frio. Uma sala vazia e sem companhia, nem de noite nem de dia.
Foi isso que eu quis? O que foi que eu fiz?
Prefiro acreditar que ainda há tempo e ainda há muita água no mar.
Muita coisa ainda precisa sair de mim, e muita coisa precisa entrar, se encaixar. Os pensamentos e as idéias andam soltas demais. As vontades falam mais. A sede pede mais. E meu corpo cala, sente.
Voaria agora se pudesse, e observaria tudo, todos. Sentiria o frio, sentiria sono, acordaria! Tudo não passaria de sonho!
Não sei a quem peço ajuda, pareço louca, ando solta. Falo sem armas, falo da alma e com a alma. Falo até calada. Com os olhos. Na calma.
Viajarei agora, o silêncio já estar aqui. Abriu a porta! Fim.



Afastar-se e aproximar-se
Vontades e impossibilidades
Sonhos e muita realidade
Novamente, vontade. E possibilidade
Borboletas voando em um estômago vazio
Arrepios, romances, fetiches... E ponto.
Pessoas, sentimentos, sentidos.
Eu sei, eles não gostariam de estar no mesmo lugar.
Mas estão. Dentro de mim.



O silêncio que acalma é o mesmo que irrita
E na tentativa de salvar a hora, esqueço o relógio
Paro o tempo. Ele ta de bobeira então é meu
Provisoriamente um sorriso sairá, aqui nesse lar
Nessa noite, nesse lugar... Será apenas pra mim
No espelho vou encantar, a dupla exposição
(...)
E já sei o que acontece: Quando canto e a dor amortece, me toco e esse toque é mudo. De onde vem o som?



Esse desapego não é em vão, pode ter certeza. Hoje, amo mais a mim.
O encontro já foi desencontro, e o encanto também já foi espanto.
Não quero nada além de vida e tempo para vivê-la
Sempre me senti bem, estando sozinha, e por que isso agora?
Não Natalí, não seja assim. Tchau!
Aqueles livros na estante precisam ser lidos, aquelas tintas da cesta precisam ser usadas...
Há muita coisa a ser feita.
O que existe dentro dessa mente confusa, é fruto dos anos que você adiantou para poder amadurecer.
Nesse quarto cheio de lembranças dolorosas, também existe aquilo que você já foi e que amava ser...
Esqueça o que quiser, lembre do que quiser. Abra sua mente, faça isso agora!



Se eu fosse só, talvez fosse menos só.
E se a vida fosse só minha, talvez eu fosse mais minha.
Não sou de ninguém. E o mundo me consome...
Ele e todas as suas maravilhas, confusões, estradas e entranhas.
E quem pensou o contrário que me desculpe, mas minha maior vontade é de sair por ai com uma mochila nas costas e uma câmera na mão...
Se a solidão não fosse tão dura, talvez experimentá-la com mais frequência fosse a solução. Mas não é.
A vibração do caos é forte demais, e quando este se aproxima, corro pra um lugar seguro: Um colo, a paz.
Mas depois me sinto livre novamente, e com vontades incontroláveis e lembranças inevitáveis.
Seria uma prisão sem vão, ou uma mente sem chão?
Me arrependo de alguns trechos de minha história, até dos que não vivi/escrevi. Por isso vivo, e vivo na esperança de me sentir completa algum dia, lendo minha história em um lugar seguro, vendo em minha pele os retratos do tempo através da tinta que estar por vir.
Hoje eu acordei revoltada, com sede de revolução.
No desejo de alucinação, grão em grão.



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